A cidade de Alvorada foi abandonada após o

colapso ecológico. O ar era pesado, os rios

secos, e os únicos que restavam eram os que

aprenderam a viver com as ruínas. A nova ordem

era feita de silêncio e regras: ninguém podia

falar sobre o que havia antes, nem questionar os

novos líderes.

Eduardo, um jovem que nunca teve propósito,

encontrou uma mulher grávida no meio das ruínas.

Ela não falava, mas seus olhos diziam tudo. Ele

sabia que ela estava fugindo — de algo maior que

ele poderia entender. Mas a lei da nova cidade

proibia qualquer gesto que pudesse "perturbar a

ordem".

Quando Eduardo a levou para um abrigo

subterrâneo, descobriu que ela era filha de um

dos antigos cientistas. A gravidez era fruto de

um experimento que tentava reviver a humanidade.

O governo da nova era, porém, queria destruir o

embrião para evitar que o passado voltasse a se

manifestar.

Ele teve 72 horas para decidir: entregar a

mulher e o bebê, ou escondêlos. A regra era

clara: quem protegia o passado era considerado

traidor. E traidores eram punidos com a memória

apagada.

No quarto dia, Eduardo foi pego. Os guardas o

levaram para o centro da cidade, onde uma grande

tela mostrava imagens do passado — cidades,

pessoas, vida. Ele foi forçado a assistir até

que sua mente começasse a esquecer. Mas antes

disso, ele viu a mulher correr para o abrigo,

segurar o ventre, e sorrir como se soubesse que

ele estaria ali, mesmo que não lembrasse.

A cidade continuou viva, mas agora carregava um

novo segredo. E o bebê, ainda no útero, crescia

sob o peso de um passado que não poderia ser

apagado.