No coração de São Paulo dos anos 1960, Dona

Clara, uma curandeira espiritual de origem

nordestina, vive em um sobrado decadente no

centro da cidade, onde práticas ancestrais ainda

são respeitadas por alguns. Seu marido, Eduardo,

um médico arrogante e herdeiro de uma fortuna,

tem uma atitude estranha com ela — evita falar

sobre seu passado e não permite que ela

investigue certos assuntos.

Após uma sessão de cura em que Clara viu imagens

de um incêndio e uma figura envolta em fogo, ela

sofre uma crise de amnésia seletiva: lembra de

tudo exceto os últimos dois anos de sua vida.

Quando tenta recuperar memórias, encontra apenas

fragmentos confusos: mãos quebradas, uma voz

feminina gritando, e um nome — Marta.

Clara começa a perceber que Eduardo é o único

que sabe quem Marta era. Ele a proíbe de

perguntar, mas quando ela insiste, ele

desaparece por três dias. Ao voltar, traz

consigo uma mulher idosa que diz ser prima de

Clara. A mulher revela que Marta era irmã de

Clara, morta há dez anos em um acidente — ou

assim foi dito.

O mistério se aprofunda quando Clara, durante

uma consulta, vê a mesma figura em fogo em um

cliente. O homem morre horas depois, e a polícia

classifica como infarto. Clara, agora convencida

de que algo está errado, resolve seguir o rastro

de Marta. Ela descobre que Eduardo, na verdade,

era o responsável pelo incêndio que matou Marta,

e que a amnésia de Clara foi causada por uma

intervenção espiritual feita por ele para

protegêla.

Eduardo, antes distante, se mostra cada vez mais

controlador. Ele a isola, impede que ela saia da

casa e começa a monitorar seus movimentos. Clara,

usando seus dons espirituais, descobre que Marta

não está morta — está presa entre mundos, e

Eduardo quer usála para obter poder.

Numa noite de lua cheia, Clara decide

confrontálo. No sótão, encontra um altar com

símbolos antigos e um caderno escrito por Marta.

Ela lê as últimas palavras da irmã: “Ele me

aprisionou. Não deixe que faça o mesmo com você.

Clara invoca Marta, que surge como uma sombra

diáfana. Juntas, elas enfrentam Eduardo, que

tenta conter a energia das duas mulheres. Em

meio ao conflito, Clara recupera a memória

completa: Marta foi morta por Eduardo, que a

aprisionou em um ritual para ganhar poder.

Com a ajuda de Marta, Clara liberta a alma da

irmã e quebra o feitiço. Eduardo, sem sua

proteção espiritual, cai em uma crise e morre

afogado no próprio sangue. Clara, agora livre,

abre uma nova clínica em outro bairro, onde

ajuda pessoas que precisam de cura — física e

espiritual.