A casa de verão na serra é vendida em leilão. O
dinheiro vai para uma conta secreta no exterior.
A filha mais nova, com 27 anos, não sabe que seu
pai era dono do café que financiou a ditadura.
No centro de Brasília, um jornalista recebe uma
carta anônima. As digitais da mão da morta são
idênticas às da menina que desapareceu em 1964.
Ele começa a seguir pistas nas ruas que ainda
têm nome de políticos da época.
O chefe da segurança do prédio onde ela trabalha
é acusado de ter ajudado a esconder corpos. Ele
se suicida em frente ao elevador, deixando um
celular com mensagens cifradas. A mulher o
reconhece como o homem que a levou à festa do
centenário da cidade, onde ela dançou com o pai
antes de ser mandada embora.
Ela entra no arquivo da prefeitura, onde
descobre que o nome da menina está registrado
como "desaparecida por ordem do governo". Uma
lista de nomes de elite é encontrada, incluindo
o do seu avô. Ela não pode sair do prédio. O
elevador não funciona.
As luzes se apagam. Um homem com máscara de
couro entra e diz: "Você não deveria ter vindo
aqui." Ele tem um relógio de ouro com a marca da
fazenda que seu pai comprava. Ela pega uma
tesoura de corte de papel e o atinge no pescoço.
O corpo é encontrado na manhã seguinte, junto
com uma nota: "Nunca esqueça quem você é." A
polícia não investiga. A empresa dela muda de
endereço. Ninguém fala do incidente.
Ela compra um bilhete para o interior, onde o
café do pai ainda existe. O dono do local é um
homem idoso que a chama pelo nome de batismo.
Ele lhe entrega uma chave e um diário. Dentro,
há uma foto de sua mãe com o mesmo homem que a
atacou.
Ela volta para a cidade. A estrada está
bloqueada por manifestantes. Os carros parados
formam uma linha que leva até o palácio. Ela não
pode voltar. O diário diz que o avô tinha um
filho ilegítimo que foi entregue a uma freira. O
nome dele é o mesmo que ela usou para se
registrar no hotel.
Ela entra no palácio. O salão de festas está
vazio. Uma figura se move no fundo. É o homem
que a atacou. Ele diz: "Você veio para
pagar."
Ela não responde. Ele puxa uma arma. Ela joga o
diário no chão e corre.
O tiro acerta o peito. Ela cai no assoalho de
madeira. O sangue escorre para baixo das pernas.
O homem se agacha e a olha nos olhos. Ele diz:
"Você é parte disso." Depois, sai.
O sol nasce sobre a cidade. Ninguém sabe o que
aconteceu. A casa de verão é demolida. O café é
fechado. A mulher não é vista novamente. Mas nas
ruas, alguém escreve no muro: "Ela não
morreu."


