A cidade respira em 1965. O ar cheira a asfalto
e café, e os prédios novos se erguem sobre
ruínas do passado. A magia urbana, antiga e
invisível, mantém o equilíbrio entre classes —
mas ela começa a falhar.
A irmã mais nova, Clara, descobre que sua irmã
gêmea, Beatriz, foi adotada por uma família rica
durante a República Velha. Ela viveu como filha
legítima, enquanto Clara cresceu nas ruas,
vendendo cartões de visita para sobreviver. O
segredo é exposto em um baile da elite, onde
Beatriz dança com um homem cujo nome Clara
reconhece: o mesmo que assinou o contrato de
adoção.
Beatriz é pressionada a casar com o homem, um
industrial que controla parte da magia urbana.
Ela recusa, mas ele oferece um pacto: seu filho
herda o poder da magia, mas Clara deve ser sua
amante. A proposta indecente é feita na frente
de todos, em plena festa.
Clara aceita, mas não por amor. Ela quer o
controle da magia, e sabe que só pode obter isso
ao destruir o equilíbrio. No dia seguinte, ela
entra no centro da cidade, onde a magia se
manifesta em forma de luzes verdes. Ela faz uma
oferenda: sua própria alma em troca de um ato de
violência contra a estrutura da magia.
A cidade desmorona em silêncio. As ruas se
tornam imóveis, e o tempo para de funcionar.
Beatriz, agora sem poder, é forçada a viver em
um mundo onde não há magia, apenas o peso do
passado. Clara, porém, não ganha nada — apenas o
vazio de ter destruído o que nunca compreendeu.
O povo chama o evento de "o dia em que a magia
caiu". Ninguém fala mais sobre o que aconteceu.
Mas nas ruas, ainda há quem sussurra o nome de
Clara, e quem teme que a magia nunca mais volte.


