A cidade de São Paulo, 1964. A filha única de um
empresário caipira, Clara Ferreira, herda uma
fortuna e um segredo: seu pai era um traidor que
vendeu informações para um político corrupto
durante a construção de Brasília. O pacto foi
feito em troca de proteção à família, mas agora
o político — o senador Augusto Mendes — quer que
ela o apoie na campanha eleitoral, ou sua
verdade será revelada ao mundo.
Clara, educada em Paris, retorna ao Brasil com o
coração partido e a mente cheia de dúvidas. Sua
avó, dona de uma casa de chá no centro da
capital, insiste que ela não se envolva com
políticos. Mas o senador, usando influência e
dinheiro, compra as alianças certas e oferece
uma posição no governo. Clara recusa.
Augusto Mendes, porém, não é homem de paciência.
Ele ordena que um dos assessores de Clara, um
jovem jornalista investigativo chamado Raul,
seja silenciado. Clara descobre isso quando
encontra o corpo de Raul em um beco, com uma
mensagem: "Não confie em ninguém".
Ela decide agir. Com ajuda de um sobrinho
distante, um advogado que trabalha no Ministério
Público, Clara começa a coletar provas. Mas o
pacto sombrio tem regras: cada passo que ela dá
contra Augusto acarreta uma consequência para
sua família. Primeiro, sua mãe é presa por
falsificação de documentos. Depois, sua irmã
gêmea, que vive nos Estados Unidos, sofre um
acidente de carro misterioso.
O poder e a ambição têm seus preços. Clara,
desesperada, confronta Augusto em uma reunião
privada. Ele sorri, oferecelhe uma vida de luxo,
segurança e influência, se ela simplesmente
fechar os olhos. Ela recusa.
No dia da eleição, Clara divulga todas as provas.
Augusto é preso, mas antes disso, ele aperta a
mão dela e diz: "Você ganhou a guerra, mas
perdeu a batalha".
Na manhã seguinte, Clara acorda em um hospital,
com ferimentos graves. Um carro atingiu sua casa.
Ninguém sabe quem foi. O pacto sombrio terminou,
mas a tragédia deixou marcas.
O mundo mudou. O poder e a ambição são
inescapáveis. E o trágico, como sempre, veio sem
avisar.


