A cidade de São Paulo se transformou em ruínas

cobertas por vegetação. A energia elétrica

desapareceu, os carros viraram ferrugem, e o ar

cheira a terra úmida e metal. As pessoas vivem

em comunidades isoladas, trocando coisas por

comida ou informação.

No centro de uma dessas comunidades, uma mulher

de armadura desgastada entra em uma sala de

reuniões. Ela é chamada de "Eduarda",

mas não se

lembra de ter esse nome. Sua memória está vazia,

exceto por um sonho constante: uma estrada

aberta, luzes de carro, e um homem com olhos

verdes.

Ela é uma soldada, mas não tem certeza de quem

ela serviu. O líder da comunidade a chama de

"defensora do novo equilíbrio" e lhe

dá um mapa

com coordenadas para uma antiga base militar.

Ele diz que ali há respostas.

Ao chegar, ela encontra uma câmara subterrânea

com um altar de pedra. No centro, uma figura

feita de fumaça e sombra se forma. A criatura

fala em sua voz, mas não é ela. "Você não é

Eduarda", diz. "Você é o que restou de alguém

que tentou mudar o mundo."

Ela pergunta quem ela realmente é. A figura

aponta para uma fileira de corpos em estágio de

decomposição. Cada um tem um nome gravado na

tábua de madeira ao lado. Entre eles, um nome:

"Isabela".

Eduarda recua. Não consegue lembrar de Isabela,

mas sente algo no peito — um peso, uma dor

antiga. A figura diz que as almas dos mortos

precisam de novos corpos para seguir adiante.

Ela era o último deles.

Ela volta à comunidade, mas agora todos a veem

como uma ameaça. O líder manda que seja expulsa.

Ela foge, levando consigo o mapa e a tábua com o

nome "Isabela".

Na estrada, ela encontra outro grupo de

sobreviventes. Eles a reconhecem. Um deles, um

homem com olhos verdes, diz: "Você voltou.

" Ele

a seguiu por anos, esperando que ela acordasse.

Eduarda não sabe se acredita nele. Mas ao olhar

para o céu, vê uma luz bruxuleante. É o mesmo

sinal do sonho. Ela decide seguir.

No final da estrada, há uma casa abandonada.

Dentro, há uma caixa de metal com documentos,

fotos, e um diário. No diário, ela lê sobre uma

vida que não conhece: Isabela, uma estudante de

medicina, que morreu em um acidente. Seu corpo

foi usado para dar nova vida a outra pessoa.

Eduarda fecha o diário. Olha para o homem com

olhos verdes. Diz: "Eu sou Isabela."

Ele sorri. "Agora você é."