No ano 2147, os relacionamentos são regidos pelo
Sistema Amor, uma rede de chips implantados no
cérebro que calcula compatibilidade e evita
conflitos emocionais. Quem se apaixona contra o
sistema é considerado instável e submetido a
reprogramação.
Clara Mendes, filha de um magnata da tecnologia,
acorda em um apartamento fechado, sem rastreador.
Seus olhos fixamse em um homem de terno preto,
rosto oculto por uma máscara metálica. Ele
chamase Kael, e diz que ela foi escolhida por
"erro de cálculo". Não há polícia, nem
sensores.
Só um relógio digital contando para trás: 72
horas.
Kael revela que Clara é parte de um experimento
falho: seu chip não bloqueou sentimentos, mas
amplificouos. Ela sente algo que o sistema não
previu — amor não correspondido. Ele, por outro
lado, foi programado para ser imune a emoções,
mas ao vêla, ele falha. O Sistema Amor o marcou
como defeito. Agora, ele precisa protegêla antes
que o governo a recupere e a reprogramem.
Na terceira noite, Clara descobre que Kael tem
um passado ligado à morte de sua irmã, também
uma "falha" do sistema. Ele a levou
para longe
do controle dos algoritmos, mas agora precisa
escolher: entregar Clara ao sistema e garantir
sua própria liberdade, ou correr o risco de ser
apagado junto com ela.
O relógio acaba. Em vez de uma prisão, Clara vê
uma porta aberta. Kael, sem máscara, tem uma
cicatriz no rosto — marca de um chip quebrado.
Ele entrega a ela um pequeno dispositivo: um
anel de aço, capaz de desativar o Sistema Amor
por 24 horas.
Clara sai. O mundo está cheio de pessoas que
parecem vazias, mas ela sabe: dentro de cada um,
há um fogo que o sistema tenta apagar. E ela vai
encontrar outros como ela.
A máquina pode calcular tudo, menos o coração.


