A rainha da corte imperial morre sem herdeira. O
palácio se enche de sussurros, mas o único
testemunho é uma pintora anônima, chamada Clara,
que há anos trabalha em silêncio nas paredes do
salão principal. Ela não sabe que sua obra — uma
série de retratos escondidos — contém uma
verdade proibida: a suposta "filha
ilegítima" da
rainha foi adotada por uma família de
fazendeiros no interior, e seu nome está escrito
em letras minúsculas atrás de cada quadro.
O ministro da Guerra, homem de confiança do
imperador, ordena a destruição dos quadros.
Clara é acusada de traição, presa em uma cela
sob o jardim, onde os muros são feitos de
tijolos antigos e o ar cheira a mofo e cinzas.
Ela não pode falar, nem escrever, mas suas mãos
continuam a desenhar na parede com pedra e
sangue, até que um oficial da guarda, filho de
um fazendeiro, a encontra e lhe dá um pincel
roubado.
Ele a ajuda a fugir, mas apenas para entregála
ao chefe da família que a criou. A mãe, agora
viúva, exige que Clara renuncie à vida artística
e aceite um casamento arranjado com o irmão mais
velho, um homem que já tem três filhos. O pacto
é simples: ela entra no papel de "irmã mais
nova", e o irmão assume o título de herdeiro.
Nenhum dos dois pode mencionar o passado.
Clara aceita, mas durante a cerimônia de
casamento, o cônsul estrangeiro, homem de olhos
verdes e linguagem suave, entrega um documento
selado. Ele diz que a rainha estava grávida
quando morreu, e que o bebê — agora um jovem
oficial — ainda vive. A carta é falsa, mas Clara
a usa como arma. Ela revela o segredo em uma
reunião do conselho, onde todos ouvem, atônitos,
o nome da menina que foi escondida.
O ministro da Guerra tenta silenciála com uma
prisão perpétua, mas a cidade se levanta. Os
artistas, os soldados, os trabalhadores do porto
— todos sabem da história. Clara é libertada,
mas não pode voltar ao palácio. Em vez disso,
ela pinta uma nova galeria, onde os retratos são
de pessoas que nunca foram reconhecidas. O novo
império começa com uma mulher que nunca teve voz.


