A cidade de São Paulo em 1925 respira o cheiro
de café e revolução. A médica Clara Viana, filha
de um cafeeirão, trabalha no Hospital das
Mulheres, onde os casos de abortos ilegais são
frequentes. Um dia, um homem é trazido
inconsciente ao hospital — o mesmo que, vinte
anos antes, a ajudara a escapar de uma prisão
política durante a República Velha.
Clara reconhece os olhos dele, mas não o nome. O
homem, chamado de "João", sofre de
amnésia e se
recusa a falar. Enquanto ela o trata, ele começa
a se lembrar de fragmentos: uma mulher de véu
branco, um documento assinado com o nome de seu
pai, uma conspiração contra o governo.
O médicochefe do hospital, aliado a oligarquias
cafeeiras, proíbe Clara de investigar. Mas ela
descobre um estoque de documentos antigos, entre
eles um diário da mãe, que revela que João era
um espião que tentou proteger a família de um
golpe. O diário menciona uma carta perdida, que
poderia apagar o passado de Clara e mudar a
história da cidade.
Durante uma festa de aniversário da família,
Clara encontra o irmão mais velho, que a acusa
de ser uma traidora por ter fugido. Ele a força
a escolher: entregar a carta ou perder tudo. Ela
decide entregar, mas a carta é falsa. A verdade
está em um espelho antigo no quarto da mãe, que
reflete um rosto diferente — o de Clara, mas com
as marcas de uma vida anterior.
No final, Clara entrega a carta, mas o
governador a reconhece como filha de um inimigo.
Em vez de punila, ele a oferece um cargo no novo
regime, que promete modernizar o país. Clara
aceita, mas mantém o espelho escondido, sabendo
que sua identidade não é a que pensava. A cidade
segue em frente, mas Clara carrega o peso de um
passado que nunca foi seu.


