A cidade de São Paulo se transforma em 1925. A

República Velha colapsa e um novo sistema de

controle emerge: os registros oficiais são

armazenados em livros fechados por cadeias de

ouro, e apenas aqueles com acesso podem alterar

o passado.

A professora Elisa Mello, de 34 anos, ensina

história em uma escola privada. Sua vida parece

estável até que ela descobre que seu marido, o

juiz Carlos Ribeiro, assinou um documento de

divórcio secreto, sem que ela soubesse.

O segredo é revelado quando ela encontra um

livro de registro antigo, aberto por acidente,

com sua assinatura como "esposa". O código de

regras exige que qualquer alteração no passado

seja registrada com sangue. Elisa não pode mudar

o que já foi escrito.

Ela confronta Carlos, mas ele nega. Em vez disso,

ele lhe mostra outro livro: o de sua mãe, que

também foi traída por um amante na mesma escola.

A traição é repetida há gerações, sempre entre

mulheres de certa classe.

Elisa decide agir. Ela invade a casa do amante,

um professor de direito, e o encontra com outra

mulher. Em um ato de raiva, ela rasga o livro de

registros, deixandoo inutilizável. O sistema

falha. Os registros desaparecem, e a lei cai em

caos.

Carlos é preso por falsificação. O amante é

expulso da universidade. Elisa, porém, perde

tudo: a casa, o emprego, a reputação. No final,

ela escreve seu próprio livro, com as histórias

das mulheres que sofreram antes dela, e o

esconde em um muro de tijolos.

Ninguém mais pode mudar o que foi feito. Mas

agora, alguém pode ler.