A menina de 17 anos acorda em um quarto de hotel

com uma carteira de identidade estranha. Nenhum

nome, apenas um número. A rua fora é diferente —

prédios mais altos, luzes pulsando como coração.

Ela não reconhece a cidade, mas sabe que precisa

fugir.

No caminho, percebe que os rostos das pessoas

mudam conforme passa. Um homem a olha com

familiaridade, mas ela nunca o viu. Um ônibus

para o centro, e as placas das ruas estão em um

idioma que ela não entende. O ar cheira a metal

e eletricidade.

Ela entra em uma loja de roupas e vê seu rosto

no espelho — mas não é o dela. A imagem se mexe,

aperta os lábios, e diz: "Você não pertence

aqui". O espelho se quebra, e um líquido escuro

escorre. Ela pega um pedaço e sente uma dor

aguda no braço.

No mesmo dia, um homem chama por ela no meio da

multidão. Ele diz que é seu pai, mas ela não tem

certeza. Ele lhe entrega um documento: "Você era

minha filha. Agora é um erro de sistema". Ela

recusa, mas ele insiste: "Se você continuar

assim, o mundo vai redefinir você".

Noite seguinte, ela escondese em um beco. Um

grupo de homens a encontra. Eles têm o mesmo

número na carteira que ela. Um deles fala: "Você

está no lugar errado. Sua realidade foi

removida". Ela tenta correr, mas os edifícios ao

redor começam a desaparecer, substituídos por

imagens de um tempo anterior — uma praça, uma

escola, um café que ela nunca viu, mas que

parece familiar.

Ela cai no chão. O número em sua carteira brilha,

e o mundo volta a ser como antes. Mas agora ela

sabe: ela não é quem pensava. E o mundo não é o

que ela conhece.