A cidade respira com o cheiro de café e pó de

giz. Em 1895, a República Velha ainda não tem

lei para os corpos que se movem além da carne.

Clara, filha de um professor de direito, é pega

em um ritual de superação que não entende: ela e

sua rival, Beatriz, trocam corpos sem aviso. O

feitiço é antigo, ligado ao poder dos

cafeicultores, mas ninguém mais se lembra como

parar.

No quartelgeneral do coronel Viana, onde as

elites se reúnem para discutir o futuro do país,

Beatriz — agora no corpo de Clara — começa a

manipular as conversas. Ela sabe das armadilhas

do sistema, das leis que protegem os ricos. Mas

Clara, no corpo de Beatriz, descobre segredos

que nunca imaginou: cartas falsas, traições

familiares, e um crime que mudou a vida de ambas.

As regras são claras: quem mantém o corpo do

outro por mais de 72 horas ganha o direito de

escolher seu destino. Mas a magia não é limpa. A

cada dia que passa, as duas sentem a pele do

outro pesar mais, como se o corpo estivesse se

revoltando contra a alma que nele habita.

Clara, no corpo de Beatriz, vai ao cemitério e

encontra a tumba de uma mulher cujo nome é o

mesmo que o dela. Beatriz, no corpo de Clara,

descobre que o pai dela foi assassinado por um

homem que agora é ministro. A pressão cresce: a

república está prestes a mudar, e o poder mágico

que sustenta o sistema começa a falhar.

No dia do primeiro grande debate político, Clara,

no corpo de Beatriz, enfrenta o coronel Viana.

Ela fala com a voz dele, com o tom de quem já

controlou o jogo. Beatriz, no corpo de Clara,

escreve uma carta que será lida na frente de

todos. As duas sabem que o próximo passo é o

último: ou elas se libertam, ou o sistema as

destrói.

No fim, Clara volta ao seu corpo, mas não ao seu

destino. Beatriz, agora livre, desaparece. A

república continua, mas algo mudou: o corpo de

Clara agora carrega a memória de Beatriz, e o

sistema, por um instante, vacila.